Bloco das bonecas

Nasci puta. E com pinto. Pisei no mundo com fantasia de macho, de machado na mão. Do mato vim pro morro e no morro, você sabe, homem que não quer ser homem papa porra do dono da boca. Pior ainda é quando a sua carteira é assinada pelo pó.

Trezentos e sessenta dias de porrada, polícia, pancadão e piranha pra pagar de putanheiro. Puxando ponta apagada. Todos os dias. Vinte e quarto por sete, trezentos e sessenta, menos cinco.

Coloco o costume no chão para mostrar a carne crua, nua, no carnaval. Monto no moto taxi, morro abaixo. É dia de bloco, dia de botar o pinto pra dentro e virar Bárbara. Batom na boca pra beijar bandido, Bin Laden, batman, bruxo, bate-bola, bofe, baiano e barbudão. Biscate baixa, ‘bate na bunda, bate’. Bebo breja e boto banca no bacanal. No bloco do bairro do lado viro bailarina, atriz, Beatriz. Boazinha, bem branquinha, bonequinha de luxo. Busco no bazar e no baú, vestido balonê bufante e borda de renda. Sou Bolina, a dama Barroca em busca de barão e brasão. Depois sou Bianca, bióloga. Do dia pra noite viro Brígida, a Frígida . Ainda sou Benedita, a bendita. Sou a bispa Britta. Sou Bruna, Bella, Berta e Betânia. Todas beleza, todas boceta.

Depois das cinzas volto ao pó, pra bater ponto, o ponto da ponta, o ponto do pinto.

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