eu odeio poemas

odeio

odeio porque quando olho pra eles

olho pra mim

olho praquela que acordou

no meio da noite

enjoada de sentir

e precisou vomitar

cuspir com palavras

o que não cabia mais no peito

e nem se encaixava na língua

 

odeio porque o poema me mostra

com o coração

o que não dá pra entender com a cabeça

ou pra botar culpa na infância

nas sobras da mãe

ou na falta do tempo

no poema

é só aquela sem desculpa

e com excesso de culpa

 

é mais fácil subir no Palco

cantar outra dor

contar piada do pato, de pinto

brincar de tinder

falar de política

ler um romance meio infantil

mas escrever poema

poema

eu odeio poema

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na hora do corre corre

do vamos ver

do despertador que toca

e a gente só vai

nada faz sentido

nem dá tempo pra dar sentido

 

e é por isso que a gente quer

um pote de doce de leite

um pote de doce de leite maior

maior maior

 

e é por isso que a coloca a colher

direto no pote

que lambe até sentir o gelado do metal

que depois coloca a colher de novo

mesmo sabendo que ainda

tem saliva da outra lambida

 

mas é que na hora que o ônibus passa

que a bateria vai acabar

que o sol vai embora

não dá tempo de dizer pelo coração

 

e é por isso que a gente escreve

frases curtas

com mais dor que palavra

sem ponto

 

mas o que a gente queria mesmo

era um banho de banheira junto

queria que o abraço na cama de ontem

durasse até o meio dia de amanhã

ou de depois de amanhã

ou do ano que vem

 

e é por isso que a gente traga o cigarro

depois traga de novo

mesmo sabendo que

a outra fumaça

ainda estava no pulmão

e tosse

 

e depois sorri de você mesmo

com uma pontinha de choro

escondida atrás da bolsinha

de baixo do olho

 

mas é que na pressa

na correria do dia a dia

nem deu tempo

da água escorrer até o final

é que logo antes do relógio apitar

aquela última lágrima

ficou esquecida

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O corte

Me cortei
Tentando juntar
Os cacos do amor
Que você quebrou

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(Sobre quem foi)

Quando você se foi
Meu medo maior
Era nunca mais rimar
Mas na poesia do meu peito
Pulsam (uni)versos
Que rimam por si
Em mim

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Com você

Gastei
Duas fotos
Da minha polaroid
Oito poemas
E um mês

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Os planetas estão fora de ordem

Sim. Os planetas estão fora de ordem. É sutil, trocaram sem desalinhar. Foi uma nebulosa que me contou.

O congresso do universo entrou no caos. O ministério do cometa adverte, não pense na crise, não saia de órbita, só gire. A galáxia girará também.

Mas os planetas? Eles estão fora de ordem.

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Nosso sentimento

Quando o olho abre

Percebo a janela

Que esqueceu de se fechar

A cama bagunçada

E a doce surpresa de você ao meu lado

 

O peito bate no ritmo do relógio

O tempo corre lento e intenso

Reforçando o que sinto

Confundindo o que penso

 

Quero uma vida ao seu lado

Quero parar em cada momento

 

O mesmo tempo voa

Passa lento como o sentimento

 

Se faz muito

Ou se faz pouco

Tanto faz

É o suficiente pra dizer

Eu amo você

 

Você me protege em sonhos

Me defende de mim

Recolhe lá de dentro o sorriso

Que esqueci de sorrir

 

Quero uma vida ao seu lado

Quero parar em cada momento

 

O mesmo tempo voa

Passa lento como o sentimento

 

Se faz muito

Ou se faz pouco

Tanto faz

É o suficiente pra dizer

Eu amo você

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Volta

Quando digo

Vou dar uma volta

É sem deixar de orbitar

Seus olhos

 

Se o corpo afasta

É só até o limite

De onde amor ainda

Consegue dar a mão

 

Mas volto pro lado

Pro peito

No abraço

Meu braço

Fecha em laço

Pro corpo presente

O agora

A gente

 

Até voltar a vontade

De dar uma volta

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Gatilho

Hoje sou teletransporte

Pro que sinto

Pro passado que abriu

Cada ferida

Cada olho

Cada sorriso

O chumbo perfura

Fundo

E gasta cada vez mais

o buraco

Maior

Arreganhado

Túnel

Que cruza por dentro

De ponta a ponta

A bala

De vida

Que eu mirei

Em mim

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Eusência

Quando me dizem que estive,

eu nego

Estar sem ser é uma questão de inércia

O corpo que move sem luta não avança

 

Ausente por medo

Ou imaturidade

Por desejo do pronto

Do feito e do perfeito

 

Vontade e conquista existiram

Mas a falta que fiz em mim

Me entristecia no vazio

Do que existe sem ser

 

O caminho me impediu

Muitas vezes

De chegar a um fim

Seja ele qual fosse

 

Mal sabia eu

Que a graça do livro pronto

São as linhas que o bordaram

As exclamações que viram três pontos

 

Em cada movimento eu sou de alma

Uma dança que preenche

quando expande o espaço do palco

Mesmo que a música pare de tocar

 

O passo que segue o caminho

quando o pé não pode mais seguir

A lágrima que se é inteira

No meio de tantos sorrisos falsos

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